Como entender o adolescente - texto

Ensaio - 2020-01-31 – O adolescente e o seu entendimento

O que é mais difícil: o adulto entender o adolescente ou o adolescente entender a si mesmo?

Olá amigos,

Adolescência!

Essa fase inicia na puberdade e termina, oficialmente, quando o desenvolvimento neurofisiológico se estabiliza.

A estabilização, que pode ocorrer por volta dos vinte e cinco anos ou um pouco mais, caracteriza o início da idade adulta, quando tem início o processo de amadurecimento.

O início dessa fase é marcado por uma total alteração no corpo e na mente, provocando mudanças na forma de ver o mundo, na forma de ver o outro e na forma de ver a si mesmo.

Todos passam pelo mesmo processo, o fato é o mesmo, mas as imensas diferenças, no universo do emocional, fazem com que a influência desse período, possa apresentar diferenças maiores ainda.

Na realidade o nosso universo emocional é uma consequência da construção da personalidade psicológica (que nós já explicamos em nosso livro Afetividade na Educação), acoplada à formatação e programação da nossa MATRIX interior.

Quem é a nossa MATRIX interior? Simples assim: é o complexo de redes neurais espalhado por todo o córtex cerebral. Mas, calma! Essa explicação vocês terão no meu sexto livro: A Construção da Inteligência; que devo publicar esse ano ainda.

Exatamente devido a essas diferenças, fica impossível encontrarmos um padrão comportamental adolescente e, muito menos, soluções enlatadas e fáceis de serem apresentadas aos pais, aos professores ou até aos próprios adolescentes.

Então, se cada um deles sente a sua mudança interior, e a sua visão sobre o mundo à sua volta, de uma forma particular, não há algoritmo capaz de receber, como “inputs”, essas observações comportamentais para, após o processamento, fornecer respostas convincentes e apropriadas!

Lembro do supercomputador do Guia do Muchileiro das Galáxias, que levou milhares de anos para descobrir o sentido da vida e que, no final, obteve, como resposta: 42!

Nossa resposta pode ser pior ainda do que o simples 42!

Então só há um meio de esse adolescente começar a se sentir integrado, satisfeito e emocionalmente equilibrado, mesmo com toda essa gama de novos sentimentos, emoções, desejos e vontades!

Essa única forma é ele ter a oportunidade de compartilhar cada etapa desse processo, na medida que cada sentimento ou emoção surge, com mentes tão complexas como a sua, com redes neurais semelhantes, e com toda uma complexidade neuropsicológica parecida, mas já formada e estável, como precisam ser as mentes de seus pais.

Por que seus pais e não com seus amigos?

Seus pais, sim, porque esses são os que, se desejarem e estiverem preparados, terão capacidade de entender suas dúvidas e ansiedades, antes que se transformem em angústia e sofrimento.

Mas, como eu disse, eles precisam estar preparados para tudo, principalmente para sustos e surpresas, muitas vezes até relatos impensados!

Pais despreparados para o novo, e para o impensado, podem acabar prejudicando, mais ainda, essa tentativa de auto entendimento que o adolescente tanto necessita.

Já no caso de seus amigos, nem sempre dá certo!

Não é impossível, mas é muito difícil encontrar amigos mentores, totalmente altruístas, desprovidos de algum tipo de interesses, e que não queiram se aproveitar da fragilidade emocional que o momento sempre traz.

Chegamos, então, em um ponto comum a todos:

O adolescente necessitando se entender, buscando extravasar sua ansiedade, procurando alguém para poder compartilhar suas dúvidas, seus sentimentos e suas emoções.

Vamos ver as minhas conclusões, a partir da análise dos grupos que temos atendido:

Aquele que tiver a sorte de ter, entre seus pais ou mentores, os ouvidos (observe que eu disse: os ouvidos!) de um adulto maduro e bem resolvido em seu auto entendimento, não haverá traumas, não haverá neuroses, nem haverá carências afetivas.

A fase da adolescência será, então, de descobertas e prazeres, com entendimento pleno de si mesmo e de mundo, com criação de perspectivas e com um amadurecimento verdadeiramente saudável.

Esse será o adolescente ideal: alegre, feliz e satisfeito consigo mesmo!

Mas se o adulto à sua disposição for um “adultescente” (apelido que copiei de relatos psicanalíticos antigos), será difícil até o empréstimo do ouvido, já que pessoas em desequilíbrio emocional não são capazes de ouvir. Escutam, apenas, mas não absorvem e não participam.

As ansiedades desse adolescente, durante suas conversas, vão, mas voltam, saem temporariamente de seu interior, dando a impressão de alívio, mas retornam, porque não encontram uma verdadeira escuta ativa. Suas palavras parecem refletir no tímpano do outro. Não encontram uma escuta com interação de energias.

Esse adultescente que empresta seu ouvido, não processa seus relatos e, portanto, toda aquela energia que deveria ser extravasada, acaba retornando ampliada, somando-se as angústias do próprio falso mentor.

Como ajudar, então, a tantos adolescentes que, por não se entenderem, acabam entrando em processo de angústia, em processo de desmotivação, em processo de tristeza sem motivação aparente?

Não é difícil, mas é trabalhoso!

O primeiro passo, que deve ser imediato, e que eu tenho realizado com muita frequência em diversas cidades, é a preparação dos pais, para que se capacitem no processo de escuta ativa e na programação de conversas frequentes, abertas, livres, permitindo que seus filhos extravasem essa energia contida em seu interior!

O segundo passo, a longo prazo, é a preparação dos futuros pais, entre os próprios adolescentes, como assunto transversal durante o Ensino Médio.

Nessa preparação, que temos realizado com jovens entre os 15 e 17 anos, eles são levados a entender a importância da preparação, para serem adultos maduros e bem resolvidos e, assim, estarem prontos para assumir a função de verdadeiros mentores de seus filhos.

E o mais interessante desse segundo passo foi uma observação relatada por dirigentes escolares de algumas escolas onde realizamos esse treinamento com os adolescentes.

Segundo eles, em vez do treinamento servir apenas uma preparação para uma futura família, muitos desses adolescentes, que estavam em crise, acabaram “se encontrando”, mesmo sem que tenha havido qualquer mudança no seu relacionamento com seus pais.

Então, o processo é válido e necessário!

E, mas que isso, URGENTE!


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