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Estudos sobre educação e inclusão-1ªparte-04-01-2018

UM DESAFIO E UMA PROPOSTA PARA O EDUCADOR RESPONSÁVEL

Vamos começar logo com dois choques de realidade na educação de nosso país, um decorrente do outro:

Estamos classificados, atualmente, como o pior país do mundo em educação! Há, no máximo, dois ou três ainda piores que nós...

E nossas metodologias educacionais estão contribuindo, diariamente, para aumentar a exclusão social e, consequentemente, aumentar o número de pessoas medíocres e alimentar o efetivo dos exércitos do crime organizado.

É de suma importância, então, procurarmos novos caminhos que garantam a aprendizagem real de todos os alunos, em conjunto com a sua formação de caráter, mas não apenas de alguns, mas sim de todos, respeitando as suas diferenças cognitivas, comportamentais e emocionais, sejam elas quais forem.

O atual processo educacional tradicional realizado em uma escola, onde as aulas são dadas de acordo com o nível intelectual e capacidade cognitiva média dos alunos de uma determinada série escolar, pode até trazer resultados muito bons, mas apenas para um grupo seleto de alunos.

Que alunos são esses?

Aqueles que já vem de um histórico familiar de permanente apoio intelectual, exemplo em casa, estímulo à leitura, estímulo à pesquisa, ou aqueles que, apesar de não ter nada disso, conseguiram superar suas dificuldades de forma pessoal e se esforçaram para seguir adiante com muito esforço e muita força de vontade.

Os demais estarão em sala de aula apenas “para garantir presença”, enquanto não forem excluídos, e logo estarão se transformando em futuros párias sociais, uns acomodando-se à mediocridade, enquanto outros procurarão sucesso no mundo da criminalidade.

E não vamos nos enganar com instituições de ensino que dizem garantir o sucesso de todos, porque, na realidade, o que essas estão fazendo, é excluindo, desde os primeiros anos escolares, os alunos que, por algum motivo, não conseguem acompanhar o nível dos colegas.

Assim fazendo essas escolas ficam apenas com os alunos que nem de escola precisariam, para terem seu sucesso garantido...

Como mudar isso?

Primeiramente precisamos enxergar, claramente, que manter o método de ensino atual significa continuar a manter o atual processo de exclusão social e de contribuição para com a criminalidade.

Em seguida precisamos analisar se as nossas metodologias pessoais em sala de aula estão, também, contribuindo para esse triste resultado, ou se em nosso caso, já superamos essa fase e já podemos dizer que garantimos, para todos os nossos alunos, aprendizagem real e formação de caráter.

Para essa análise temos que ser bastante humildes, e evitar que os nossos fracassos sejam entendidos por nós como “problemas de falta ade educação doméstica”, falta de apoio do sistema educacional, falta de tecnologia em sala de aula, falta de verba, etc...

Todas essas faltas pesam, sim, é claro, e a batalha para que esses pontos sejam resolvidos, deve existir. Há necessidade de se exigir atuação dos Conselhos Tutelares, das secretarias de ação ou serviço social, das secretarias de educação e, inclusive, das secretarias de saúde, já que parte das dificuldades são provenientes de falta de tratamento ou acompanhamento médico adequado.

Mas essa batalha não pode eliminar a outra, que é a atuação imediata do professor em sala de aula, com os atuais meios que tiverem à sua disposição, enquanto outro grupo exige as providências externas à sala de aula.

Em sala de aula precisamos encontrar metodologias que, além de manter os alunos estimulados e esforçados em seu caminho, também consigam estimular os desestimulados, apoiar os que não têm apoio familiar, recuperar o caráter daqueles que já dão sinais de desvios de conduta, e assim por diante.

Bom lembrar que ainda estamos falando de alunos que não trazem nenhuma dificuldade neuropsíquica de aprendizagem, nem síndromes nem transtornos que dificultem a aprendizagem.

Ou seja: a preocupação com a inclusão, que ainda não é uma realidade para os alunos especiais, está mais longe ainda de ser realidade para alunos ditos normais, mas com desvios de conduta, desestímulo escolar, falta de ânimo, preguiça crônica, etc...

Vamos tentar entender como começar?

Já vimos que a diversidade de características encontradas entre os alunos é imensa!

Precisamos entender que isso é normal, ou seja, cada ser humano, por mais que ele seja semelhante aos demais, traz características só suas que, certamente, influenciarão a sua forma de percepção, processamento e conscientização do mundo à sua volta.

Algumas dessas características decorrentes da evolução social e antropológica, podem até trazer traços comuns, mas há muitas variantes na forma como cada pessoa sente e internaliza os mesmos fatos e os mesmos eventos.

E essas diferenças, mesmo entre as pessoas ditas “normais”, provocam diversas formas de percepção, entendimento, aprendizagem e elaboração.

Por isso que, em uma mesma família onde não exista apoio emocional dos pais, podemos ter um filho com tendência a desvios de conduta e outro com força de vontade para vencer e boa formação de caráter!

E quando, além dessas naturais diferenças, o ser humano traz consigo alguma dificuldade de ordem neuropsíquica, como os sintomas de síndromes, transtornos, deficiências e dificuldades intelectuais ou cognitivas, a construção da sua identidade e personalidade sofre influências maiores ainda.

O primeiro grande desafio, enfrentado por quem tem qualquer dificuldade, está relacionado à velocidade de aprendizagem, já que o sistema escolar está todo elaborado para que todos os alunos estejam no mesmo ritmo de leitura, de entendimento e de elaboração oral ou escrita, o que é um verdadeiro absurdo!

O segundo grande desafio é quando a sociedade não consegue perceber a violência simbólica sofrida por esses alunos e os trata com indiferença ou até com discriminação.

Esses alunos começam a sofrer essa violência, a partir do momento em que percebem as diferenças entre eles e seus colegas.

Essa violência simbólica, que muitas vezes se torna violência real, por meio de bullying realizado por colegas e até por professores, trabalha no sentido de baixar a sua autoestima, aumentando suas dificuldades e criando outras, que poderiam nem sequer existir.

Temos, então, que encontrar uma forma prática ideal para o exercício da docência, respeitando todas essas características.

Temos que criar metodologias que alcancem a todos, em uma mesma sala, estimulando-os a partir dos seus respectivos níveis de entendimento e de suas capacidades cognitivas.

Essas metodologias devem garantir que todos se sintam em processo de aprendizagem real, a todo momento, e que sintam que têm capacidade de aprender.

Essa sensação de ter capacidade de aprender é o que vai servir para a parte mais importante de todo o processo intelectual e emocional de cada pessoa, que é a elevação da sua autoestima.

A partir do momento em que a autoestima de uma pessoa se eleva, o seu próprio cérebro começa a trabalhar, incessantemente, de forma a eliminar todas as suas dificuldades, reduzir seus sintomas, e melhorar sua percepção, sua memória e seu raciocínio.

Só o próprio cérebro consegue fazer isso de forma eficiente, e ele só precisa de autoestima elevada.

Pronto: aí está o desafio!

Criar uma metodologia que alcance todos esses objetivos.

Tenho duas dicas:

Primeira: assistir ao filme “Escritores da Liberdade”

Segunda: participar da palestra sobre a “Metodologia IUPE de Dinâmica Grupal” no dia 18 de janeiro, das 8h às 12h, na sede do IUPE na Liberdade, em Salvador.

E, em seguida, preparar a sua própria metodologia, com base nesses dois exemplos e compartilhar conosco.

O que não podemos é ficar de braços cruzados vendo nosso país continuar como o pior do mundo em educação!


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